Por: Angela Freire
É cultural e sabido por nós outros que, usufruir e se aproveitar do que é público pelos que exercem cargos, quer seja no executivo, legislativo ou judiciário, é uma constante na sociedade brasileira.
Mas, os que são colocados nestes cargos a eles confiados, através da força do voto legítimo, são os que mais se acham no direito de explorar e exagerar no uso das suas atribuições.
Sabe-se que alí estão para administrar o que é da sociedade, que não estão, por favor, e sim porque lhes foi confiado e acreditou-se na PALAVRA deles (Home pur nóis escuído para as rédias do pudê)– e alguns até compraram essa confiança - uma das piores atitudes do ser humano - como bem diz Luiz Gonzaga na letra da música Vozes da Seca: Mas doutô uma esmola a um homem qui é são Ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão.
Infelizmente um ciclo vicioso existe. Eu vendo meu voto e o outro me compra, é um comércio; de um lado o eleitor, que é quem mais precisa, se vende; do outro, aquele que se oferece para ajudar e administrar, cobra um preço alto; porque além de comprar o voto, do salário que lhe é pago (por direito, é óbvio), se apossa da máquina administrava, das brechas e falhas burocráticas das leis que só lhes beneficiam, de um sistema judiciário lento, etc. e tal ; daí descumprem tudo que há na Constituição Federal Brasileira:
Nós, representantes do povo brasileiro, para instituir um Estado Democrático, destinado a “assegurar” o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias, promulgamos, sob a proteção de Deus.
Assegurar (afirmar, garantir, protestar), eis o que nossos administradores públicos deveriam fazer cumprir!
Dê serviço a nosso povo, encha os rio de barrage
Dê cumida a preço bom, não esqueça a açudage
Livre assim nóis da ismola, que no fim dessa estiage
Lhe pagamo inté os juru sem gastar nossa corage
Eis aqui algumas considerações minhas:
Saneamento Básico – se tívessemos a água servida tratada, a rua devidamente calçada e sinalizada, o lixo reaproveitado, rios e mananciais protegidos, alimentação servida em condições de higiene, a população não adoeceria e assim não precisaria buscar tanto o serviço de saúde;
Saúde - hospitais limpos, funcionários bem pagos, infra-estrutura, sanitários higienizados, material hospitalar adequado, condução (ambulância) disponibilizada e realmente utilizada para sua real utilidade (transportar doentes)...
Educação – docentes bem remunerados, salas de aula climatizadas, sala de computação, mini-auditório, alimentação saudável e destinada realmente aos alunos, ginásio de esporte, biblioteca bem equipada...
Trabalho – fábricas competitivas e que respeitem as leis ambientais...
Cultura – valorização do artesão e do artista, eventos...
A quem recorrer para que tenhamos nossos direitos constitucionais garantidos? Eis o que também diz a constituição:
Capítulo IV - Das Funções Essenciais à Justiça
Seção I - Do Ministério Público
Art. 127. O Ministério Público é instituição permanente, essencial à função jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe a defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis.
Art. 129. São funções institucionais do Ministério Público:
I - promover, privativamente, a ação penal pública, na forma da lei;
II - zelar pelo efetivo respeito dos poderes públicos e dos serviços de relevância pública aos direitos assegurados nesta Constituição, promovendo as medidas necessárias a sua garantia;
Se o doutô fizer assim salva o povo do sertão
Quando um dia a chuva vim, que riqueza pra nação!
Nunca mais nóis pensa em seca, vai dá tudo nesse chão
Como vê, nosso distino mecê tem na vossa mão
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